Oi, acredito que muito do que escrever aqui vai ser relacionado ao texto sobre o abuso que sofri - O MENINO DO QUARTO ESCURO.
Desde ontem quando consegui contar essa história, fiquei muito mais pensativo do que o normal em relação ao que me ocorreu, fiquei pensando nessa questão da culpa. Sempre tentamos achar um culpado pra tudo o que acontece ao redor da gente, e por muitos anos me senti culpado, primeiro por ter permitido que essa violência acontecesse comigo, na minha cabeça o não contar, o não me posicionar diante disso era como se eu compactuasse para o que aconteceu.
Algum tempo depois, não sei se meses ou um ano, lembro que havia sido em um período curto, foi descoberto que o mesmo cara tinha violentado uma criança do mesmo bairro, eu poderia ter falado, poderia ter contato para meus familiares que aquilo tinha ocorrido comigo também, mas eu não tive coragem, não tive força.
'ele chegou a ser preso, não sei quanto tempo passou na cadeia, mas pra mim não foi o bastante, nunca seria, principalmente porque não foi pelo que havia feito comigo. O encontrei certa vez em uma loja em que trabalhei, lembro do desespero disfarçado, junto com a vontade de gritar, de xingar, eu simplesmente só consegui virar as costas e não atendê-lo.
Eu sei que não houve nenhum outro culpado além do agressor, nem meus pais, nem meus irmãos, principalmente eu, não tivemos culpa.
A gente carrega a culpa pela vida como se ela fosse um animal de estimação que precisasse de alimento, e não deveria ser assim. Deveríamos conseguir abandoná-la longe, talvez olhá-la com um certo distanciamento e entender o motivo da sua existência, mas não carregar conosco.
Hoje eu digo que sou bem resolvido em muitas coisas, mas quando paro e olho, sinto que não entendo de nada mesmo. Tenho uma insegurança maior que o meu mundo, um medo que me trava e faz com que eu não consiga me mover, é um pavor tão grande que, muitas vezes precisando, eu não consigo sequer falar com desconhecidos, ou quando falo, mentalmente eu peço pra aquilo acabar logo. Inclusive o ponto inicial pra criar esse blog ontem foi o fato de parar e pensar que não sei fazer muita coisa na vida, sinto que não tenho nada a acrescentar no mundo, além do trabalho que eu faço hoje que pode e já é feito por centenas, milhares de outras pessoas.
Eu tenho uma essência depressiva, e volta e meia tenho aquela ideia maldita de como seria mais fácil para as pessoas ao meu redor se eu não tivesse aqui. Egoísmo puro, pensando friamente, pois sei que machucaria muito os meus. Mas ao mesmo tempo vem aquele pensamento de que essa dor que eu causaria seria instantânea e logo as pessoas seguiriam as vidas delas normalmente, por que isso é o que acontece, as pessoas vem e vão e a vida de nenhuma outra pessoa para por causa disso.
Me desculpa se meu texto de vez em quando parece um pouco desconexo, mas ás vezes vem tudo de uma vez e fico sem saber como descrever.
Desde ontem quando consegui contar essa história, fiquei muito mais pensativo do que o normal em relação ao que me ocorreu, fiquei pensando nessa questão da culpa. Sempre tentamos achar um culpado pra tudo o que acontece ao redor da gente, e por muitos anos me senti culpado, primeiro por ter permitido que essa violência acontecesse comigo, na minha cabeça o não contar, o não me posicionar diante disso era como se eu compactuasse para o que aconteceu.
Algum tempo depois, não sei se meses ou um ano, lembro que havia sido em um período curto, foi descoberto que o mesmo cara tinha violentado uma criança do mesmo bairro, eu poderia ter falado, poderia ter contato para meus familiares que aquilo tinha ocorrido comigo também, mas eu não tive coragem, não tive força.
'ele chegou a ser preso, não sei quanto tempo passou na cadeia, mas pra mim não foi o bastante, nunca seria, principalmente porque não foi pelo que havia feito comigo. O encontrei certa vez em uma loja em que trabalhei, lembro do desespero disfarçado, junto com a vontade de gritar, de xingar, eu simplesmente só consegui virar as costas e não atendê-lo.
Eu sei que não houve nenhum outro culpado além do agressor, nem meus pais, nem meus irmãos, principalmente eu, não tivemos culpa.
A gente carrega a culpa pela vida como se ela fosse um animal de estimação que precisasse de alimento, e não deveria ser assim. Deveríamos conseguir abandoná-la longe, talvez olhá-la com um certo distanciamento e entender o motivo da sua existência, mas não carregar conosco.
Hoje eu digo que sou bem resolvido em muitas coisas, mas quando paro e olho, sinto que não entendo de nada mesmo. Tenho uma insegurança maior que o meu mundo, um medo que me trava e faz com que eu não consiga me mover, é um pavor tão grande que, muitas vezes precisando, eu não consigo sequer falar com desconhecidos, ou quando falo, mentalmente eu peço pra aquilo acabar logo. Inclusive o ponto inicial pra criar esse blog ontem foi o fato de parar e pensar que não sei fazer muita coisa na vida, sinto que não tenho nada a acrescentar no mundo, além do trabalho que eu faço hoje que pode e já é feito por centenas, milhares de outras pessoas.
Eu tenho uma essência depressiva, e volta e meia tenho aquela ideia maldita de como seria mais fácil para as pessoas ao meu redor se eu não tivesse aqui. Egoísmo puro, pensando friamente, pois sei que machucaria muito os meus. Mas ao mesmo tempo vem aquele pensamento de que essa dor que eu causaria seria instantânea e logo as pessoas seguiriam as vidas delas normalmente, por que isso é o que acontece, as pessoas vem e vão e a vida de nenhuma outra pessoa para por causa disso.
Me desculpa se meu texto de vez em quando parece um pouco desconexo, mas ás vezes vem tudo de uma vez e fico sem saber como descrever.
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